Exorbitância

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Bárbara Silveira
18 anos e uma história pra contar.
"É pelo utópico. É com o utópico. É pelas minhas mãos que trazem a luz e com a minha voz que cantaria, ainda que escuro fosse. Como Alexander em 89, que dividiu a Alemanha em duas mesmo após a queda do muro de Berlin e a unificou meses depois, só pelo sorriso da mãe. Good bye, Lenin! Eu seria, sou, forte assim. Alguém mais, senhor, entende a imensidão disso? Do sentir? Do que move? E comove? O despertar, quase sempre, é uma compaixão. Uma compaixão - é o que sou. Uma utópica idealista sonhadora holística com dois olhos indígenas e um sangue cheio de verdades e pontos de vista."
— Claudia Calado 
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Poema “Especulações em torno da palavra homem” de Carlos Drummond de Andrade recitado por Sandra Corveloni em vídeo produzido pelo Instituto Moreira Salles - IMS em homenagem ao Dia D (2011).

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Abobrinha quando nasce
Esparrama pela rede
Coraçõeszinhos quando ficam tristes
Alguém os leve a uma clínica cardiológica

Estou farto do lirismo, não apenas o comedido, mas de todos os lirismos desmedidos.
Estou farto dos vates narcísicos que, sob efeito da auto-hipnose, insistem em desvendar a esfinge do espelho.
Estou farto dos trovadores que fazem a opção preferencial pelas trevas porque são incapazes de vicejar sob a luz e ali, escondidos no escuro, se prestam a tolos jogos de sombras em meio a bobos jogos de palavras.
Estou farto dos poetas autistas que deixam a vida passar e não conseguem superar o fascínio pelo próprio umbigo.

Cansei de idólatras ocos que pinçam em seus poetas preferidos lemas edificantes e os desfraldam qual bandeiras na popa de suas vidinhas fantasmagóricas.

Estou exausto dos que pensam que escritores e poetas são infatigáveis fabricantes de ditos e máximas.

Me enojam os que admiram Clarice Lispector por fanfarronadas como “Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar.” Ninguém pode ser leve feito brisa, porra! Muito menos forte qual ventania. É apenas retórica, será tão difícil assim de ver?

E Clarice era humana. Podia obrar bobagens como “Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.”

Estou cercado. Deste lado, Quintana com suas formulazinhas mágicas que nos querem eternamente pueris. Deste outro, Florbela Espanca e sua mania mórbida do amor que não encontra correspondência no mundo real.

Estou farto e não quero listar os tantos que me deixam farto, a lista seria comprida.

Para Kafka, o primeiro sinal do começo da compreensão é o desejo de morrer.

Eis o que nunca compreenderão os que nunca se fartam de porra nenhuma.

Wilson Vaccari

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15 minutos

Ele assistiu o choro vir aos próprios olhos, diante do espelho. Assistiu a fuga, a triste fuga de si. Não soube o que fazer e escapou belas beiras, de qualquer jeito, de qualquer meio; sem exatidão, sem certeza, sem fé. Ele assistiu a nudez do próprio corpo, entrelaçado entre tantos outros corpos, menos na sublime androginia. Menos no sublime sentimento, momento e alma. Menos no outro. O único outro. Insubstituível outro. E sentiu o medo, a pequenez, e sentiu o frio, a chuva que arrebentou a quilômetros de distância e tocou-lhe na testa e apagou-lhe o cigarro. Recusou-se a admitir em voz alta. Engoliu os monstros, a loucura e a solidão. O silêncio o matou. O silêncio o era.

Claudia Calado

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"do amor
conheço os sintomas
e os hematomas."
Paulo Leminski 
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Não sei quantos signos se espalham entre o teto e as paredes do quarto, entre o escuro aqui dentro e as constelações ali fora, entre o silêncio da garganta rouca que gritou também por você e a voz suave de Dallas Green que te canta, te encanta, te retém. Em mim. Oh, my love, you don’t know what you do to me. Penso se não poderia ter sido tua a mão que segurou a minha quando o coração ficou pequeno, quando a noite foi gigante, penso se não poderia ter sido tua a voz que me disse, “estes teus dedos tão delicados, menina, que tanto medo tenho de quebrar”. Segredos que vivo e não mais te digo, como no princípio também não ousava dizer, segredos que vivo e não mais te digo, guardando o belo e querendo teus braços, não mais que isto, que tudo isto. Você sente; foi sempre o não-dito. Não sei, o impacto fica nas retinas, no choro contido, incontido, no soluço, no gemido, nos lábios, sangrentos ou secos. O impacto fica no peito, no colo, nas costelas. Da mente à carne. Não sei quantos signos se espalham entre as minhas palavras e os meus pensamentos, quantas metáforas são reconhecidas e quantas conotações te tocam, mas suponho que seja esta a relação entre o ser e o existir. Oh, my love, if I could just find you tonight… Oh, my love.

Claudia

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Bala de Borracha

Há uma bala de borracha no olho do mundo.

A dolorosa visão, veja minhas mãos — estendidas, débeis, pingando de tinta.

Elas se erguem acima das armas de choque, sustentam uma flor.

Balançam uma flor, o circo está falido.

Ricocheteiam a flor na linha do chão.

Aqui não tem pão, moço.

Leio no cartaz (pintado de tinta da mão)

Quando o seu filho ficar doente

Quando o seu filho ficar faminto

Leve-o ao estádio.

Eu ouvi vaias do lado de dentro

Muitos sons entoados pelos meus amigos

Todos desconhecidos amigos:

Suas vozes começaram a engatinhar.

A palavra azeda surgiu nas entranhas da boca

Um vinagre proibido e chorado

Um vinagre nunca mais volátil

Mas se propagando por aí.

Vinte centavos do bolso.

Vinte sentados assistindo Jabor.

Vinte escravos de Jó

Invertendo o sentido do círculo.

Guardem as bombas, elas não adiantam mais,

Furiosos e podres manobristas.

Eu estou alegremente ajustando

A minha testa na mira.

Mariane Cardoso (17/06/2013)

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"O pior inimigo, todavia, que poderás encontrar, és tu mesmo. Nas cavernas e nos bosques, és tu que espreitas a ti mesmo.
Solitário, tu segues o caminho que te conduz a ti mesmo! E por teu caminho desfilam diante de ti tu mesmo e teus sete demônios.
Serás herege para ti mesmo, serás feiticeiro, adivinho, doido, incrédulo, ímpio e malvado.
É preciso que sintas a necessidade de consumir-te em tua própria chama. Como quererias renascer sem primeiro te reduzires a cinzas?
Solitário, tu segues o caminho do criador. Queres criar um deus de teus sete demônios!
Solitário, tu segues o caminho daqueles que amam."
— Nietzsche, em “Assim Falava Zaratustra” 
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Poema “Necrológio dos desiludidos do amor” de Carlos Drummond de Andrade recitado por Fernanda Torres em vídeo produzido pelo Instituto Moreira Salles - IMS em homenagem ao Dia D. (2011)

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Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma, eu sei,  a vida não para…

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